Investimento em Ouro

Entenda o que é hedge e quando usar essa estratégia de investimentos

O hedge é uma das principais estratégias de proteção patrimonial.

Aura | 19 de agosto de 2021

O hedge é uma das principais estratégias de proteção patrimonial. Na prática, ele é indicado para o investidor que, por necessidades específicas, queira garantir o preço de uma ativo no futuro, reduzindo a exposição às variações de mercado.

Essa estratégia está relacionada aos ativos com oscilações no valor de negociação e renda variável, como commodities, ações e moeda estrangeira. Ademais, pode ser uma forma de adotar uma posição mais conservadora em períodos de incerteza.

Por isso, o hedge é uma opção que merece a atenção dos investidores, a fim de ampliar as ferramentas conhecidas para lidar com diferentes situações. Continue a leitura e entenda como investir!

O que são estratégias de hedge?

O hedge é uma estratégia em que o investidor limita o preço futuro de um ativo. Para isso, utiliza estratégias para estabelecer um valor prefixado ou aloca recursos em investimentos com desempenho oposto ao escolhido. Portanto, o objetivo é minimizar os riscos e proteger o patrimônio.

Uma tradução possível para a palavra é “cerca”. Além de indicar um instrumento financeiro, o termo da língua inglesa é aplicado às cercas formadas por arbustos, que delimitam uma propriedade. Assim, o “hedging” seria uma forma de cercamento (previsibilidade) contra potenciais riscos e perdas de um ativo.

Para quem o hedge é indicado

Há diversos motivos que levam as pessoas a utilizar o hedge. É comum, por exemplo, o empreendedor que trabalha com exportação ou importação usá-lo para minimizar os riscos da operação. Afinal, a variação do dólar pode causar um preço diferente entre o fechamento de um contrato e a entrada do pagamento em caixa.

Nesse exemplo, o propósito do investidor é lucrar com sua atividade principal, e ele estará satisfeito se o valor recebido estiver dentro do previsto. Assim, enquanto estratégia de investimentos, o hedge não é uma ferramenta para você tentar obter lucro, mas para reduzir a incerteza.

Outro exemplo são as pessoas que pretendem permanecer com uma ação, mas temem sua desvalorização. Os investidores que, embora não desejem se desfazer do ativo, enxergam um momento de incerteza sobre o futuro de uma empresa são um exemplo.

Enfim, o hedge é indicado sempre que o seu objetivo é proteger o preço atual contra possíveis oscilações.

As estratégias mais utilizadas

As estratégias mais utilizadas são a fixação de um acordo com vencimento futuro e o uso de ativos com tendência oposta. A primeira é mais simples e garante o preço devido contratualmente, enquanto a segunda exige a compensação do desempenho negativo de um investimento com o positivo de outro.

O entendimento do objetivo de manter o preço é importante, porque alguns derivativos (instrumento baseado no valor de outro ativo) também são aplicáveis às posições vendidas. As posições vendidas são situações de alto risco, em que o investidor tenta lucrar com a desvalorização de uma ação, moeda, produto etc.

Imagine, por exemplo, uma opção de venda da PETR4 por R$30,00. Se, no vencimento, o preço dessa ação cair para R$25,00, é possível vender o papel e realizar um lucro antes das despesas de R$5,00, não é mesmo?

No caso do hedge, o investidor não vai especular o preço do ativo. Se a PETR4 está a R$20,00, ele não vai tentar lucrar com a desvalorização das ações preferenciais da Petrobrás, mas escolher um valor próximo aos R$20,00 na data da compra da opção.

O hedge, portanto, é um recurso importante para minimizar a incerteza, dentro das situações específicas em que manter o preço de um ativo faz sentido para a estratégia do investidor.

hedge

Como funciona uma operação de hedge?

A forma de realizar o hedge varia conforme o tipo do ativo envolvido. Como dito, em alguns casos, tenta-se limitar o preço; em outros, compensar os ganhos e perdas. Não à toa, a estratégia funciona com a vinculação entre investimentos: o interessado tem o ativo “A” e busca o ativo ou derivativo “B” para cercar os riscos.

Hedge natural

O primeiro tipo de hedge é o natural. Nele, as próprias características da atividade econômica fazem o cercamento dos riscos, independentemente das intervenções do interessado. Um exemplo é o da empresa que tem despesas e receitas em dólar, minimizando os efeitos das variações do câmbio.

Hedge cambial

Já o hedge cambial é a proteção contra as oscilações de uma moeda. Um exemplo é manter quantidades iguais de real e dólar. Assim, a parte em moeda estrangeira se valoriza na mesma proporção da desvalorização da moeda nacional, e vice-versa.

Hegde de commodities

Já o hedge de commodities diz respeito a buscar a proteção do preço das mercadorias básicas da economia ou usar esses ativos na estratégia. O investimento em ouro, por exemplo, é empregado em diferentes casos de hedge, como a proteção de investimentos baseados na SELIC e na desvalorização da moeda local. Em tais situações, o metal áureo, historicamente, tende a manter um desempenho positivo, protegendo os investidores.

Hedge de ações

Um último exemplo é a proteção contra as quedas em ações. Nesse caso, a estratégia costuma utilizar as opções de ação, que concedem o direito de negociar ou não negociar um ativo no futuro por um preço prefixado.

Vale ressaltar que o hedge não é a única estratégia de investimentos ligada à proteção patrimonial. Dois exemplos bastante comuns são a diversificação e o swap. Você conhece esses conceitos?

Diferença entre hedge, diversificação e swap

Na diversificação, o investidor busca a composição da carteira de investimentos com ativos com pouca ou nenhuma correlação. Assim, o desempenho de um aporte não depende do resultado do outro, ou seja, coloca-se os ovos em várias cestas.

Se você tem ações de uma empresa de bebidas e investe em um fundo imobiliário, a expectativa é lucrar em ambos. Porém, se um ativo desvalorizar, o mau desempenho deste, a princípio, não afetaria o resultado do outro, mitigando os riscos da operação. Perceba que o foco é o lucro em ambos, diferentemente do hedge em que buscamos manter (ou “travar”) o preço e assegurar certa previsibilidade para mitigar riscos de oscilações, como já dito.

Muitos ativos utilizados para hedge podem servir igualmente como estratégia de diversificação. Se você compra ouro físico e ações de uma empresa de alimentos, por exemplo, existe a diversificação e mitigação de riscos, mas não é um caso de hedge porque não há uma correlação da queda de um ativo com o desempenho positivo do outro.

Já o swap, dá-se por meio de uma troca do fluxo financeiro entre dois ativos, ou seja, seus ganhos e perdas em determinado período. Imagine que o investimento “A” tem renda fixa, enquanto o “B” tem renda variável. Pelo swap, os investidores trocam essas variações: o investidor em renda variável assume o fluxo de renda fixa, ficando mais protegido contra as oscilações.

Um exemplo de swap cambial é utilizado pelo Banco Central do Brasil (BCB). Nesse contrato, a entidade pública paga aos investidores a variação do dólar em certo período acrescida de um bônus contratual, recebendo a taxa Selic em troca.

Perceba que a operação de swap pode ser utilizada para realizar o hedge, sendo tratada frequentemente como espécie dele. Porém, também existem situações em que a substituição dos fluxos financeiros não visa a proteção e previsibilidade, por exemplo, quando se assume oscilações e riscos maiores em busca de uma rentabilidade mais elevada.

Como fazer um hedge?

Antes de pensar em fazer um hedge, cada investidor deve ficar atento às suas particularidades. Isto é, você tem um objetivo financeiro que demanda essa proteção, como um empreendimento, uma viagem para o exterior, uma ação com risco de queda, a expectativa de importar um bem?

Conforme o seu objetivo financeiro, o mercado disponibiliza diferentes formas de realizar hedge:

  • contratos e minicontratos futuros — compra e venda de dólar, Ibovespa, commodities e outros ativos com vencimento futuro e preço prefixado;
  • opções — direito de negociar ou não negociar um ativo no futuro em condições pré-estabelecidas;
  • BDRs — mecanismo para investir em ações de empresas estrangeiras, reduzindo a exposição ao mercado local e variação cambial;
  • investimento em ouro — uso de mecanismo de reserva de valor que, historicamente, tem desempenho positivo em períodos de crise dos países.

Os investimentos apresentados são alguns dos exemplos, pois o mercado financeiro oferece inúmeras alternativas. Nesse contexto, o hegde é uma das principais ferramentas de proteção e você agora conhece um pouco mais desse recurso para avaliar quando ele pode ser uma boa estratégia para seus investimentos.

Quer aprender mais sobre as estratégias de investimento? Confira nosso post “Entenda o que é uma boa carteira de investimentos e veja 5 dicas para diversificar os ativos”!

AVISO IMPORTANTE: este artigo é meramente informativo e não se trata de uma recomendação de investimento. Retornos passados, quando mencionados, se baseiam em fatos passíveis de demonstração, que servem apenas como referência histórica, e não são garantia de retornos futuros. Investimentos envolvem riscos e podem ensejar perdas, inclusive da totalidade do capital investido, ou mesmo a necessidade de aportes adicionais, conforme o caso. O conteúdo deste artigo reflete apenas a opinião pessoal de seus autores.

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