Mineração de Ouro

Nem tudo que reluz é ouro: conheça o processo de beneficiamento do ouro

Você certamente já ouviu falar que nem tudo que reluz é ouro.

Aura | 23 de novembro de 2021

Você certamente já ouviu falar que nem tudo que reluz é ouro. Pois é, isso vale para o próprio processo de obtenção do ouro, que exige profunda expertise, infraestrutura tecnológica de ponta e compromisso ambiental inegociável.

Quem não conhece o setor imagina que a atividade mineradora esteja baseada tão somente na extração. Ledo engano: das pesquisas de reconhecimento geológico, passando pelas autorizações de órgãos públicos, até a lavra, há um caminho longo a ser percorrido.

Mas é aqui que se inicia o procedimento mais intrincado às mineradoras: o beneficiamento do ouro. Hoje você vai saber o que acontece entre a extração e a comercialização desse metal, bem como por que ele permanece com tamanho poder monetário em nossa sociedade!

Quais são as 5 principais etapas do beneficiamento do ouro?

O beneficiamento do ouro consiste no tratamento das rochas extraídas na mineração para transformação em matérias-primas com maior valor econômico agregado. Confira na sequência as etapas atreladas a este processo.

1. Cominuição

Trata-se da redução do tamanho do minério até alcançar a granulometria necessária para as fases seguintes. Compreende:

  • britagem primária — recebimento do minério desmontado direto da mina. Envolve o uso de britadores giratórios (e de mandíbulas) para conseguir a primeira fragmentação relevante do material extraído;
  • britagens secundária e terciária — sequência de reduções, agora utilizando um equipamento chamado de “britador cônico”;
  • moagem — moinhos cilíndricos (ou de bolas) giram dentro de mancais, triturando o minério e resultando em sua queda (ainda mais fragmentada) em tanques, e em forma de cascata.

2. Peneiramento e classificação

Essa fase envolve a separação das partículas em dois grupos: um com proporção mais ampla de componentes mais densos (underflow) e outro com partículas mais finas (overflow).

O objetivo é captar as partículas mais delgadas para subsidiar o processo subsequente de concentração, além de eliminar porções extremamente tênues, que possam prejudicar o procedimento. Essa etapa é feita por meio de equipamentos altamente tecnológicos, chamados “hidrociclones”.

3. Concentração gravítica

Lembra que dissemos no início que nem tudo que reluz é ouro? Pela complexidade do tratamento, já deu para perceber isso, certo? Pois bem, mas o processo de beneficiamento ainda está longe do final.

Há ainda a concentração gravítica, fase em que partículas de diferentes formas, tamanhos e densidades são destacadas por máquinas que se apoiam em alta rotação pela força da gravidade, como jigue, concentrador centrífugo, caixa sluice, mesas vibratórias, entre outros.

4. Flotação e cianetização

Aqui, as partículas serão separadas ainda mais minuciosamente pela formação de bolhas de ar, bem como pela hidrofobicidade (método que utiliza a interação do minério com os líquidos). É o que se chama de flotação.

A partir de então, entra em cena a etapa de cianetização (ou lixiviação de cianeto), que ocorre em pilhas, colunas ou tanques. Nesse momento, o ouro é dissolvido por uma solução à base de cianeto (HCN), seguido de sua “recuperação” por meio da precipitação com zinco ou da adsorção no carvão ativado.

A intenção é reduzir ao mínimo o volume de porções auríferas perdidas.

5. Etapas finais

Nem tudo que reluz é ouro. Mas em breve será. O produto aqui gerado é então encaminhado para a fase de “desaguamento” (espessamento ou filtragem), secagem (em secador rotativo ou de leito fluidizado), eliminação dos rejeitos e, por fim, direcionamento do concentrado à fundição para gerar a tão sonhada “barra de ouro”.

Em toda essa sequência de ações, são necessárias duas toneladas de minério bruto para gerar poucas gramas auríferas, o que não deixa dúvida que a mineração de ouro está longe de ser um processo simples.

potinho com pedras preciosas indicando que nem tudo que reluz é ouro

Qual é a importância do ouro?

Mesmo com métodos muito mais rudimentares, os mais antigos registros da associação do ouro como definição de riqueza do homem giram ao redor de 600 a.C., com seu valor simbólico de luxo e poder.

Ocorre que, em pleno século XXI, o metal dourado ainda é considerado por muitos investidores como uma das mais importantes estratégias para escapar da volatilidade sem abrir mão do potencial de enriquecimento.

Uma das razões desse fenômeno é que o ouro é um bem físico escasso e menos dependente das políticas monetárias de Bancos Centrais locais. Com isso, atrai permanentemente investidores em busca de refúgio patrimonial, especialmente em tempos de crise. Essa dinâmica estimula a correlação inversa entre o valor desse metal e o dos demais ativos da renda variável, e é por isso que tantas pessoas não abrem mão de investir em ouro.

Aliás, entre os metais requisitados pela indústria (como ferro, cobre e níquel), lembremos que o ouro é o único que vai além da matéria-prima, representando reserva de valor. Adicionalmente, sua escassez eleva exponencialmente a importância monetária.

Ademais, o ouro não está presente apenas nas joalherias e em cofres de bancos. O metal reluzente é crucial para a indústria eletrônica por ser excelente condutor de eletricidade, fazendo-se presença obrigatória em laminados de placas de computadores, componentes de celulares, câmeras e TVs. Mas não é só isso.

O ouro é largamente demandado no setor de decoração de luxo, e até mesmo na medicina, onde é usado na fabricação de próteses dentárias (pela maleabilidade e durabilidade), em cirurgias reparadoras de vasos (com a aplicação de malhas finíssimas de fios de ouro) e até nas pesquisas com nanotecnologia. Depois de tudo isso, fica claro de onde surgiu o ditado “nem tudo que reluz é ouro”, certo?

Todos esses fatores explicam por que, mesmo com toda a complexidade de beneficiamento explicada acima, apenas no 1º semestre/2021, o setor mineral apresentou aumento de 98% no faturamento (em relação ao mesmo período do ano anterior). Desse total, cerca de 10% advém apenas da mineração de ouro, segundo IBRAM.

Como você viu, nem tudo que reluz é ouro, inclusive porque, na História, não há registro de commodity tão versátil quanto o metal amarelo mais cobiçado da humanidade! É por isso que a extração e o beneficiamento continuam a todo vapor!

Ficou interessado em saber mais sobre como funciona a mineração de ouro? Então continue conosco, descobrindo mais detalhes sobre o processo de extração!

[AVISO IMPORTANTE: este artigo é meramente informativo e não se trata de uma recomendação de investimento. Retornos passados, quando mencionados, se baseiam em fatos passíveis de demonstração, que servem apenas como referência histórica e não são garantia de retornos futuros. Investimentos envolvem riscos e podem resultar em perdas, inclusive da totalidade do capital investido, ou mesmo a necessidade de aportes adicionais, conforme o caso. O conteúdo deste artigo reflete apenas a opinião pessoal de seus autores.]

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